Meu filho ficou doente e agora? SUS e senha preferencial funciona? Não, é uma barreira a ser vencida
Meu filho havia passado na consulta com a médica da família no postinho em 25/08/2024 e receitou tratamento para rinite de uso contínuo por 6 meses, queixa ronco, coceira no nariz, tosse.
Entrou o mês de setembro com os sintômas ameno, dormindo melhor, sem espirros e menos coceira. Na segunda quinzena, acordou com muita coriza, tosse, não dormiu direito. ficou amoado e diminuiu apetite (meu filho não se queixa de dor).
Do sábado para domindo (18/09/2024) acordou no meio da noite sufocado, parecia engasgado, precisei fazer uma manobra para desengasgo e cuspiu catarro. Tinha em casa remédios de asma, porque adquiri asma quando peguei COVID e faço tratamento e dei sabultamol. Ele demorou, mas dormiu sentado.
Dia 17/09/2024, levei-o ao postinho e pedi para passar no acolhimento, passei com enfermagem. A enfermeira disse que não era necessário teste de Covid-19, disse que deveria ser refluxo e orientou apenas observar.
Na noite do sábado para domingo, nova crise, desta vez já estava dormindo sentado melhorou a crise de tosse com berotec.
Na segunda-feira comparecemos na UPA, pegamos a senha dita como preferencial H8010, chegamos 14:40, já era 17:50. Após 3 horas não haviam chamado a senha para atendimento médico (até me perguntei se fosse senha normal se seria mais rápido).
Meu filho xilicando, não queria mais ficar, queria ir embora.
Durante as 3 horas que permanecemos na UPA, já tinha saído com ele um pouquinho pra desestressá-lo e comprado salgadinho para acalmar, mas naquela hora não queria mais ficar.
Fui à recepção para verificar a senha e enquanto aguardava sair um paciente para conversar com a médica sobre; ele saiu da UPA- Jaçanã.
Perguntei ao segurança, ninguém viu, perguntei ao senhor que vendia em frente da UPA pipoca e não viu ele também, então sai andando na rua procurando...encontrei-o e fomos embora.
No outro dia (24/09/2024) como ainda estava ruim, fomos no Pronto Socorro Santana, novamente me entregaram senha preferencial (P27), chegamos às 11:04 e saímos 14:10. Nestas três horas ele passou na triagem com a enfermeira, passou em consulta médica, tirou raio x, retornou em consulta com a médica. Nestas 3 horas xilicou? Sim, após fazer o raio X já queria ir embora, mas pela agilidade do retorno, foi possível ser atendido e receber o diagnóstico início de pneumonia.
Não há remédio neste local e no posto Apuanã - onde resido, havia apenas antibiótico, então no dia 25/08/2024 fui a AMA Prates (duas conduções da minha casa) para retirar o medicamento predinisona e soro.
A saúde pública para autista ainda precisa melhorar no tocante ao tempo.
Tempo é um grande vilão para pessoa com autismo, porque não conseguem permanecer muito tempo em lugares, fazem birra, gritam, se batem e batem em suas mães, meu filho começa remungar bastante, falar alto e agora sai dos lugares. Como já é adulto, tem 29 anos, (é mais alto e bem corpudinho) não consigo segurá-lo.
O direito à saúde precisa ser efetivado para autistas.
A lei diz que tem direito a atendimento prioritário, no entanto, ao chegar nos atendimentos (qualquer lugar) negam, ou entregam a senha preferencial e não prioritária. Porém, ainda quando recebem a senha prioritária, o tempo para serem atendidos é uma barreira intransponível.
Meu filho não é aquele autista que grita, que se balança, bate mãos na cabeça. Ele tem um comportamento mais discreto, mexe os dedos, balança o tronco quando cansado e pula, mas não contínuo, e por isso, sofremos um pouco mais este preconceito para com autista nível 1 de suporte.
Sabe, não importa o nível, todos tem comprometimento e dão muito trabalho.
Escrevi este poste para demonstrar a dificuldade em receber atendimento médico, e demonstrar que senha preferencial ou prioritária é medida ineficaz para assegurar o direito à saúde da pessoa com autismo.
É preciso determinar um tempo máximo para atendimento médico, quer em consultas de rotinas, especialidade ou mesmo pronto socorro.
Como demonstrei, meu filho aguenta no máximo 3 horas e após não consigo segurá-lo, se houvesse necessidade de medicação no local, sairia sem receber.
Esse alerta é para dizer que autistas precisam ter seus direitos preservados em todos os níveis de saúde e em todos os locais onde forem, quer numa fila de banco, quer no caixa de supermercado, no transporte público e no SUS.
Autista tem direito de estar presente em todos os ambientes e ter respeitado sua condição peculiar de - autista.
O mesmo problema encontramos nos estabelecimentos comerciais onde negam atendimento em Caixas preferencial como ocorreu na lojas Americanas e foi amplamente divulgado e é real, porque passei lá o meu filho e foi da mesma forma desrespeitado.
É preciso também ter campanhas educacionais para que a população compreenda a dificuldade deste público, por que não raro há olhares e cochicos contra o atendimento preferencial e prioritários da pessoa autista.
Sobre este fato registrei reclamação no 156 sob números 33399506 e 33380193 (esta foi indeferida). Depois faço um comentário para dizer como foi a resposta do 156
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