LAUDO FECHADO ...INÍCIO DE UMA NOVA LUTA - CONSEGUIR TRATAMENTO ADEQUADO
Parece simples contar para vocês, mas ao lembrar de cada dia, cada palavra, a carga emocional é muito forte, muito sentimento guardado e muito choro que engoli pra não para, ser forte.
O Laudo do meu filho Eduardo, veio após muita luta, muitas consultas com profissionais que até davam receitas com remédios, mas não fechavam diagnósticos e isto, mesmo após anos de consultas. Minha indignação vai para estes profissionais da saúde que receitam medicamentos sem ter um laudo fechado. Em uma das consultas que compareci com meu filho a neurologia do convênio disse ao médico: Meu filho não é drogado, não preciso de química alternativa, quero tratamento, não vou comprar nada até me dizer o que ele tem, hiperatividade se trata com atividade física. O médico olhou para mim, deu a receita, e disse na próxima consulta eu laudo, que não chegou nunca este laudo pelo convênio, parecia que queria apenas um paciente para sugar consultas ou não sabia.
Quando saí da sala da psiquiatra Jussinalva já com os encaminhamentos para terapias me sentia aliviada, porém a doutora disse assim: mãe, seu filho é autista, autista é deficiente, mãe de deficiente precisa ser guerreira; você vai entregar a solicitação de terapia, mas ninguém fará nada pelo seu filho, se ficar aguardando, não terá nada, ainda mais que já é adolescente. Venha aqui todos os dias, cobre todos os dias, insista, procure outras mães e vai cobrar os deputados, vai à autoridades, não pare ou seu filho não terá atendimento.
Fiz como ela orientou, saia do trabalho e ia todos os dias no Capsi pedir terapias, cobrar,até que um dia encontrei uma mãe com dois autistas brigando na recepção e marcaram para ela; estes jovens tinham idade próxima da idade do meu filho. Fui atrás dessa mãe, precisava aprender com ela como consegui as terapias. Ela me orientou andar com meu filho, trazê-lo e mostrar para eles que eu preciso, pois são muitos e poucos locais e disse que seu esposo estudava direito e estavam buscando ajuda na justiça, que o papel que entrou era judicial.
Bem, não tinha dinheiro pra advogado, passei ir no Capsi com meu filho, até que marcaram uma terapia.
Essa terapia era com psicólogo, em grupo, durava 40 minutos e meu filho não queria entrar, misturavam jovens com problemas encaminhados ao conselho tutelar e os PCDs. Tinham boa intensão, mas não era eficaz, diziam que era para ir socializando...meu filho aprendeu repetir os palavrões, jovens revoltados com problemas familiares e escolares, suas mães brigando com eles na recepção, alguns diziam que odiavam as mães, iam matá-las, eu ficava do lado de fora com meu filho. Questionei ao profissional porque colocar junto, pois eram jovens normais com problemas de comportamento e disse, mas seu filho também tem problema de comportamento, não tem. É tem sim, mas autista é diferente, não é um jovem que pixa, ou faz pequenos furtos, não consegue se determinar de outro modo.
Concomitante meu filho ia a escola Rafael, quando a direção obrigou voltar frequentar às aulas não apenas a classe de apoio. Por ser obrigda pelo conselho tutelar, levei-o, conselho tutela só serve para isto, não ajuda em nada, terapias, escola especial, conseguir algo efetivo. No mesmo mês outro epsídio de agressão, fui à delegacia quando o delegado me orientou procurar o Ministério Público de São Paulo.
O Ministério Público havia ingressado com uma ACP-AÇÃO CIVIL PÚBLICA obrigando o Estado garantir direitos à educação e saúde à pessoa do espectro autista. Fui e me habilitei nesta ação. Era apenas fazer um protocolo e entreguei no MP. De verdade, não entendia nada do que disseram, apenas perguntei>> vão me ajudar? Disseram, oriente a todas que não conseguem tratamento vir aqui. Virei Maria anunciado a boas novas.
Em 2009, houve condenação do Estado, e no mesmo ano meu filho iniciou no instituto de educação especial AMA - Amigo dos Autistas.
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