TIVE AVC - AVC NÃO É O FIM
Em 1997, mais precisamente em 07 de maio de 1997, me encontrava no sétimo mês de gestação, era uma menina, já tinha escolhido o nome "Gabriela". Era quinta-feira e queria ir à igreja, culto de batalha espiritual na igreja Renascer em Cristo Tremembé onde frequentava e fui com minha irmã.
Uma benção o culto, mas já no retorno pra casa não me sentia muto bem. Comecei sentir fortes dores que aumentaram rapidamente e foram ficando muito, muito fortes.
Levada ao hospital Voluntários perceberam que tinha descolamento prematuro da plascenta, estava com uma forte hemorragia, pressão alta, inicou a cirurgia.
Devido ao deslocamento da plascenta, micropedaços entraram na corrente sanguinea e foram para cérebro causando o AVC e também para o coração causando infarto, minha filha não sobreviveu, nasceu morta.
Quando acordei já não tinha movimento nas pernas, lado esquerdo do rosto, braços, visão embasada, dificuldade em falar imensa.
Tive alta e aos poucos os movimento foram retornando, voltei andar, escrever, conversar.
O meu rendimento geral era muito abaixo do quem eu era antes do AVC, dificuldade de memória, não conseguia ler, troca de palavras, pensamento mais lento, andar comdificuldade, falta de equilíbrio, sensibilidade auditiva, sons me davam tremores e palpitações, língua trêmula, fortes dores de cabeça se seguiram, dor no praço, inchaço do corpo.
Sempre tive fé em Deus e mantinha minha mente crendo nas promessas de Deus e declarando que seria complemente curada.
Deus esteve comigo e aos 24 anos inicei trabalho como operadora de callcenter, aos 32 anos iniciei graduação em Direito como bolsista do Prouni, aos 36 anos fui aprovada no exame da ordem, aos 37 me formei em Direito e no mesmo ano ingressei no quadro dos advogados do Brasil.
Muito feliz, sonhava em ser concursada, afinal teriam estabilidade para cuidar do meu filho autista, em 2014 entrei para o convênio OAB-Defensoria Pública e ganhei bolsa como anotadora para curso preparatório da defensoria - FMB, parecia que logo conseguiria atingir meus objetivos.
Em 2015, porém, comecei sentir fortes dores de cabeça, mas não dei atenção, alguns dias após foram tremores no rosto, percebi que ao andar estava puxando uma das pernas, a direita, parecia que não vinha.
Passei no clínico, encaminhou para neuro e cardio; lá estava eu fazendo tomografia, eletrocardiograma = resultado, novo AVC.
Saí da sala decepcionada, chorando, achando que não era justo passar por tudo novamente, que Deus era injusto comigo.
As sequelas dessa vez não foram físicas, mas cognitivas, memória> esquecimento; troca de plavras; dificuldade para ler, concetração, dores de cabeça, tremores no rosto e muita, muita insegurança, medo de continuar advogando, de fazer audiências, perder prazos, pensamento mais lento, demora para entender as situações. Com sequelas cardiovasculares, estreitamento do ventrículo esquerdo e inchaço nos pés, cansada, cansando rápido.
Estava sem frequentar a igreja, quando soube que a Renascer Tremembé abriu as porta na pandemia, voltei frequentar aos domingos as 08:00 com meu filho.
Fomos frequentando e depois conheci um trabalho de um casal de pastores realizado com jovens PCD na igreja e passei levar meu filho. Esse casal inseriu meu filho nesse grupo e aos poucos fez amizade pela primeira vez.
Pela primeira vez meu filho tinha amigos que como ele também tem dificuldades e estavam ali superando através da fé, liam a bíblia juntos (hiperfoco do meu filho sempre foi religião), depois foi inserido no louvor e com poucas aulas já tocava bateria.
Eu não voltei ao médico depois da pandemia, tinha muita dificuldade em aceitar que agora em encontrava com dificuldade no aprendizado, mas Deus foi misericordioso e mesmo assim fui melhorando, a fé e o pensamento positivo faz diferença.
AVC não é o fim, mas um novo começo.
Voltei estudar e quero ser concursada e sei que serei.

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